Zodíaco Egípcio
Doze deuses dos faraós, sabedoria do Nilo
Os Signos
História e Origens
O antigo Egito observava o céu com um cuidado extraordinário — mas não através de um zodíaco. O seu sistema genuíno e autóctone eram os decanos: trinta e seis grupos de estrelas que se erguiam cada um pouco antes do amanhecer, em intervalos de dez dias ao longo do ano, dividindo a noite em horas. Pintados nas tampas dos sarcófagos como «tábuas estelares diagonais» a partir de cerca de 2100 a.C., os decanos eram o relógio estelar do Egito, e o nascer helíaco de Sopdet (Sirius) marcava o Ano Novo e a iminente cheia do Nilo.
Os doze signos familiares não fazem parte dessa herança antiga. O zodíaco de Áries, Touro e os demais é de origem babilónica e chegou ao Egito apenas no último milénio a.C., através do contacto babilónico e depois grego. O seu monumento egípcio mais famoso, o grande zodíaco circular de Dendera hoje no Louvre, foi esculpido no final do período ptolemaico, sob domínio romano — a mais antiga imagem sobrevivente a fundir os doze signos importados com os próprios trinta e seis decanos do Egito. É uma obra-prima de síntese, mas da época greco-romana, não uma relíquia da era das pirâmides.
E a versão que encontrará com mais frequência — o «zodíaco egípcio» dos doze deuses, em que se nasce sob Amun-Ra, Anubis, Isis ou Bastet — é ainda mais recente. Não existiu nenhum sistema egípcio antigo que atribuísse às pessoas um deus de nascimento a partir de um conjunto de doze. Esse esquema é uma invenção popular do século vinte, que veste os modernos horóscopos solares com nomes egípcios. Os signos aqui mostrados pertencem a essa tradição moderna, e apresentamo-los honestamente como tais.
Nada disto diminui a verdadeira conquista. Durante três mil anos, o Egito leu o tempo e o destino nas estrelas — os decanos nos tetos dos templos e nos sarcófagos, Sopdet anunciando a cheia, a deusa do céu Nut arqueada sobre o mundo, engolindo e fazendo renascer o sol a cada dia. Aquela astronomia era original, precisa e profundamente egípcia. Os doze deuses são um traje moderno; os decanos e o relógio estelar que há sob eles são o genuíno céu antigo do Egito.