Zodíaco Khmer
Doze animais na tradição do Império Khmer
Os Signos
História e Origens
O zodíaco khmer é o encontro de duas grandes importações, e o Camboja não inventou nenhuma. Os seus doze animais — Rato, Boi, Tigre e os demais, cada um com o seu próprio nome khmer — são o ciclo chinês, a mesma roda de doze anos partilhada por toda a Ásia budista. Mas o calendário que os transporta, e a astrologia que dele se lê, é indiano: a estrutura profunda é hindu, extraída da astronomia védica e da ciência calendárica que chegou ao Camboja com a civilização indiana.
Essa camada indiana é a mais antiga e profunda. Dos séculos pré-angkorianos em diante, o Camboja foi profundamente indianizado: o seu calendário, a sua astrologia de dias auspiciosos e perigosos (kruĕh) e a sua própria cosmologia bebem de fontes hindus e budistas — os contos Jataka, o Dhammapada e o Reamker, a versão khmer do Ramayana. O quadro em que os animais se assentam é indiano até à medula.
Os próprios doze animais fixam-se no uso khmer por volta do século nono, na era de Angkor. E a junção mostra-se no calendário: como os seus vizinhos tailandeses e laosianos, o Camboja não muda o animal no Ano Novo lunar chinês, mas no Choul Chnam Thmey, o Ano Novo khmer de meados de abril — uma festa solar de ascendência indiana, não chinesa. Os animais são chineses; o relógio pelo qual correm é indiano.
Assim, o quadro honesto é uma dupla adoção, tornada inteiramente khmer: animais chineses colocados dentro de um calendário indiano, nenhum deles uma invenção cambojana, mas entretecidos ao longo de mil anos em algo pelo qual os cambojanos ainda vivem — consultado para casamentos, viagens e a nomeação dos dias. Adotado duas vezes, e duas vezes tornado próprio do Camboja.